300 de Esparta é uma adaptação ao cinema da Grafic Novel de mesmo nome, que por sua vez é a adaptação de lenda grega sobre a batalha de Termópilas , que significou o início da reação da Grécia contra os invasores Persas. Os Egípcios desejavam a Imortalidade. Leônidas conseguiu.

A genialidade de Frank Miller e Lynn Varley, somadas a fantástica tragédia grega, carregam esta obra com o impacto de tramas e reviravoltas, típicas de holywood. 300 ainda é carregado de contexto sociais conteporâneos, onde se vê a eterna luta dos humildes contra os ostentadores, os tiranos com seus reinos de poder e riqueza, contra a plebe.
Mostra ainda um contexto empresarial, onde pequenas e organizadas empresas que conhecem e valorizam cada talento a fundo, pode sim vencer a grande corporação que não possui o verdadeiro espírito encarnado em cada um dos seus membros.
A G R A P H I C N O V E L
A graphic novel conta um episódio real da história da humanidade: a batalha entre o rei espartano Leônidas e o persa Xerxes, ocorrida em 480 a.C.. Por razões políticas, aliás muito bem mostradas nos quadrinhos, o rei grego é impedido de levar o exército para combater Xerxes, que ameaça invadir não só a cidade-estado, como também toda a Grécia. Assim, utilizando apenas sua guarda pessoal de 300 homens contra o que então era o maior exército já reunido no mundo, Leonidas decide barrar a invasão persa.

Os 300 de Esparta", publicada originalmente em 1998 pela editora americana Dark Horse é um dos melhores trabalhos de Frank Miller. O autor tem ainda outras obras famosas como "Demolidor: A Queda de Murdock", "Ronin", "Sin City", "Batman: Ano Um" e "Batman: O Cavaleiro das Trevas". A leitura de "300" é rápida e impactante, já que se trata de uma obra extremamente visual (mesmo para o padrão dos quadrinhos e para o padrão Frank Miller), cheia de páginas de quadros únicos e páginas duplas, poucos diálogos e muitas frases de efeito. Miller pode ter tomado certas liberdades poéticas, mas sempre em nome do ritmo de leitura, sem prejuízos ao leitor.

Assim, há exageros como a criança defeituosa que sobreviveu ao abismo em que foi jogada para se tornar um monstruoso corcunda que na HQ tem papel fundamental, mas ao que se saiba nunca existiu na verdade. Bem como a roupa "estilo ninja" das tropas de elite de Xerxes.
Como desenhista, Miller explora ao máximo a estilização de seu traço, mostrando sua marca ao preterir o realismo em favor da história e do movimento. Nunca sua arte se comunicou tão bem coma colorização de Lynn Varley (sua esposa). Todo e qualquer fã de HQ, aliás, de artes visuais deve ter essa obra em sua coleção.
A história em si já seria boa o suficiente para entusiasmar qualquer leitor, mas Miller a tornou ainda mais impactante. Primeiro, pesquisou escudos, armas e trajes dos espartanos, bem como a geografia das Termópilas, local onde a batalha ocorreu, para garantir mais realismo aos quadrinhos.
Assim, além de mostrar o rígido modo de ser dos Espartanos e explorar uma aventura sobre coragem e honra, Miller reforçou a lenda do rei menino que lutou sozinho contra o lobo e, mais ainda, do líder corajoso, severo e justo que foi Leônidas. Isso, claro, dentro do modo de vida em vigor. Afinal, como Leônidas faz questão de frisar a um de seus jovens soldados, eles não têm escolha a não ser obedecê-lo: "Deixe a democracia para os atenienses, garoto".
O FILME

Assim como aconteceu na transposição de Sin City para telona, o diretor Zac Snyder foi extremamente fiel aos quadrinhos. Consequentemente, teve de utilizar muitos efeitos especiais, inclusive para deixar Rodrigo Santoro mais alto (" com uns três metros" , na avaliação do ator) e com um vozeirão - neste caso, a voz do próprio Santoro foi distorcida por um programa de computador, quando necessário.

O elenco conta com o brasileiro Rodrigo Santoro no papel do imperador persa Xerxes, além de Gerard Butler (Reino de Fogo) como o Rei Leônidas, Lena Headey (de Irmãos Grimm) interpretando a Rainha Gorgo, David Wenham (Van Helsing) como Dilios, Michael Fassbender (Band of Brothers) como Stelios e Dominic West (da série The Wire) como Theron.

O filme é muito bem cuidado do ponto de vista visual (aliás, não poderia deixar de ser diferente, já que é fiel aos quadrinhos) e há diversas cenas que remeterão a outros épicos do cinema que abordam a civilização grega ou romana, como Gladiador. Mas, a exemplo da HQ, tem muito mais sangue, frases de efeito e nada de final feliz.

Em suma, 300 é uma obra digna de ficar na estante, para pais, filhos e netos. E porque não para as mães e filhas, já que a rainha Gorgo (explêndida!) e a personificação máxima de que por trás de um grande homem, existe uma grande mulher. Lêonidas queria glória e honra, e que sua história ecoasse pelos tempos. Ele consegiu seu objetivo. E você?